Matar o criminoso e salvar o homem (parte 2)

 

No segundo episódio sobre a APAC, vamos mostrar a importância do trabalho voluntário para os recuperandos.

E ainda: as regras de conduta e o lazer no presídio.

SEGUNDA PARTE.02_50_37_06.Still028.jpg

Enquanto nos presídios do sistema comum os condenados vivem em celas superlotadas, sem o menor conforto e higiene, na Apac, são apenas cinco ocupantes por cela. Os dormitórios são extremamente limpos e organizados por eles mesmos. É feita uma revista diária para controlar a organização. Se algum recuperando não arrumar a cama por exemplo, sofre uma pontuação negativa no quadro de avaliação, que pode levar o prisioneiro a sofrer punições. Além de limpas, as celas são confortáveis. Cada um tem a sua cama, seu armário e existe uma cobertura para protegê-los da chuva e do frio.

O lazer é compreendido como direito , forma de sociabilidade e formação humana. Todos os dias eles tem tempo livre que podem desfrutar na biblioteca, na sala de televisão ou com prática de esportes. Existe uma academia de ginástica, uma quadra de esportes e um campo de futebol onde, aos sábados, os recuperandos recebem times externos para disputa de jogos.

Várias vezes ao dia eles fazem orações, como por exemplo antes das refeições, para agradecerem a comida. Toda visitante que vai à Apac é conduzido, no final do visitação, para um auditório. Lá, todos os recuperando se reúnem para abençoarem os que são de fora. Uma oração coletiva, feita de pé e de mãos elevadas. É forte e emocionante.

Mais tocante ainda é acompanhar o trabalho dos voluntários da Apac. Muitas não tem nenhuma ligação prévia com os apenados, mas, se dedicam semanal ou diariamente para ajudá-los em suas recuperações.

O seu Márcio é um deles. Morador da região do presídio de Santa Luzia, ele começou a trabalhar na Apac há mais de 10 anos. Metalúrgico aposentado, é o responsável pelas comprar do presídio. O que os recuperando solicitam e é aprovado pela direção, vai para a lista do seu Márcio, que atravessa a cidade em busca de todo o tipo de material para os trabalhos artesanais dos condenados. Além disso, é uma espécie de aconselhador. Chamado carinhosamente de pai, irmão e psicólogo pelos detentos, seu Márcio passa horas conversando e ouvindo desabafos ao pé de uma árvore, no pátio da Apac. Acompanhamos um dia de trabalho dele.

"Quando eu entro na Apac, eu me transformo", disse ele. Confira tudo, em detalhes, no vídeo abaixo: