Matar o criminoso e salvar o homem (parte 1)

 

Visitamos um presídio da Apac. Diferentemente do modelo tradicional das cadeias públicas brasileiras, a Apac possibilita as ferramentas para a verdadeira transformação dos recuperandos.

E acredita que "o homem só se torna irrecuperável quando é um cadáver".

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Quando pensamos em presídios no Brasil, o que vem à cabeça é superpopulação, condições desumanas de moradia e higiene, além de ausência de trabalho e assistência à saúde para o apenado. Mas a Apac (Associação de proteção e assistência aos condenados) é um sistema diferente, que tem como filosofia: “matar o criminoso e salvar o homem”.

Para começar, não existem prisioneiros, mas sim recuperandos, que são chamados e tratados pelos próprios nomes.

Lá não existem policiais armados nem agentes penitenciários. A segurança e a disciplina do presídio são feitas com a participação dos detentos. Para cerca de 200 recuperandos, existem 20 funcionários apenas, além dos voluntários. 

Criado na década de 1970, por Mario Ottoboni, o método da Apac tem 12 elementos fundamentais para o seu funcionamento: 
participação da comunidade; · recuperando ajudando recuperando; · trabalho; · religião; · assistência jurídica; · assistência à saúde; · valorização humana; · a família; · o voluntário e sua formação; · Centro de Reintegração Social; · mérito; e · Jornada de Libertação com Cristo (palestra, testemunho e meditação)

Enquanto em uma cadeia comum o encarcerado passa 22 horas por dia dentro de uma cela, na Apac ele passa a a maior parte do tempo fora dela, trabalhando. Todos exercem atividades consideradas profissionalizantes, como pintura de quadros, confecção de tapetes, artesanato e solda industrial. Muitos se dedicam à manutenção dos espaços internos, como serviços de jardinagem, limpeza, cozinha, portaria, reparos hidráulicos, alvenaria, pintura e construção de novos espaços. Eles recebem um salário de cerca de 300 reais por mês e diminuem um dia na pena, a cada 3 trabalhados. Além disso, eles estudam na escola dentro da Apac e desfrutam de uma rica biblioteca.  

Na área da saúde, eles tem acesso à consultório odontológico, consultório médico, posto de enfermagem, acompanhamento psicológico e assistência jurídica. E, quinzenalmente, os recuperando que tem boa conduta, tem direito à uma visita íntima de 12 horas de duração, o que permite que o encontro vá além do sexo e possibilita interação maior entre os casais, que podem fazer planos para as famílias.

A Apac se vinculou à ONU em 1986. O método apaqueano passou a ser difundido internacionalmente. Costa Rica e Equador o implantaram integralmente e outros países o implantaram de modo parcial: Alemanha, Bulgária, Cingapura, El Salvador, Eslováquia, Estados Unidos da América, Honduras, Inglaterra, Letônia, México, Moldávia, Malawi, Namíbia, Nova Zelândia e Noruega.

"O homem só se torna irrecuperável quando é um cadáver". A visita à Apac está no vídeo abaixo: