O pirulito da Praça Sete

 

Ele está no coração de BH. O quase centenário obelisco, mais conhecido como pirulito da Praça Sete, é testemunha dos principais acontecimentos da cidade. De onde ele veio? Como? E por que? 

 
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Foto: Magê Monteiro

No dia da gravação, chegamos ao centro de BH por volta de meio dia. Que calor! Que barulhada! Quanto movimento nas avenidas Afonso Pena e Amazonas nesse horário. Na contramão do ritmo maluco da Praça Sete, um sujeito estava solitário e pensativo, encostado no Pirulito da Praça Sete.

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Ele escolheu o lado que tinha sombra. Se assentou na base do Pirulito. Colocou a mochila ao lado, tirou os sapatos e ficou balançando os pés, viajando... Depois se pôs a falar sozinho por horas. Uma discussão enérgica. Ele gritava, gesticulava. Parecia estar em outra dimensão. Não se importava nem um pouco com o movimento de carros, ônibus e pessoas, nos arredores da Praça mais movimentada de BH.

Depois de um tempo, acreditem!!! E l e t i r o u a c a l ç a!  Isso mesmo! Ficou só de cuecas, de pé, olhando para o além. E então se abaixou, abriu a mochila, procurou alguma coisa dentro. Encontrou uma bermuda, estilo surfista, e a vestiu. Guardou os sapatos e colocou uma sandália, também retirada da mochila. Senti inveja. O sol estava forte. A poeira intensa. Um dia seco e quente, de primavera, com cara de verão. 

Não dá pra saber se ele era um morador de rua, alcoólatra, ou um artista independente, fazendo uma performance para os transeuntes. O certo é que esta é uma cena comum para os belo horizontinos que passam pelo centro. As pessoas se apropriam do obelisco. Namoram no degrau, fazem xixi, escrevem pichações. Ali também acontecem as principais manifestações públicas. Uma delas foi a responsável pelo retorno do Pirulito ao centro da cidade... Vou explicar....

Ele foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1924. Construído por uma pedreira de Betim, tem mais de 13 metros e meio de altura. Um marco do fim do imperialismo. Um símbolo da liberdade, da república brasileira. Em 1962, o então prefeito Amintas de Barros, retirou o Pirulito da Praça Sete e o monumento ficou abandonado em um lote da prefeitura. Um ano depois, o obelisco foi transferido para a Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi. Em 1977, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.

A população mineira reconheceu a importância do monumento e protestou pelo retorno dele à Praça Sete, o que aconteceu em 1980. Desde então, ele nunca mais saiu dali, o que não significa que o Pirulito teve sossego...

Passeatas, protestos, comemorações, greves. Tudo de importante é pertinho dele! E quando o trânsito ali para, prejudica também o fluxo de grande parte da cidade. O que acontece ali, chama atenção, tem visibilidade e reverbera na imprensa.

 

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E neste mês de outubro, o Pirulito chama atenções para uma campanha de prevenção ao câncer de mama. Dos postes que o iluminam à noite, saem luzes cor de rosa. O Pirulito apoia o "Outubro Rosa".

 

Durante a gravação do vídeo sobre o Pirulito, subimos em vários prédios para registrá-lo de diferentes ângulos. As janelas emperradas de um escritório no oitavo andar de um edifício, exibem uma vista privilegiada do nosso patrimônio histórico, que fica pequenino diante dos arranha-céus. É tanto movimento humano e de automóveis, que os funcionários trabalham de tampão de ouvido, para reduzir o barulho.

 

Da janela (não emperrada) de um outro prédio, uma vista lateral que mostra o Pirulito diante de uma das poucas árvores centenárias, sobreviventes. Quando ele foi inaugurado, era totalmente cercado por elas, o chão era de terra e a nossa capital era considerada uma cidade jardim. 

 

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